Domingo à tarde

    Mastiguei dois livros num frenesi de leitura nos últimos dias. Dois livros do clube do livro: "Três mulheres" de Lisa Taddeo e "De quatro" de Miranda July. 

    Meu maior medo é acordar infeliz em um casamento, com filhos, presa à uma rotina que não me agrada, obrigada à servir pessoas que pouco se importam com minha individualidade. Em uma rotina que não me permita uma caneca de chá, uma refeição questionável, três gatos e um ou outro livro divertido, sem objetivo profissionalizante. Em que seja impossível apreciar o silêncio da casa por horas e depois preenchê-lo com músicas underground cantadas à plenos pulmões aos ventos da varanda. 

    É me ver, mais uma vez, em um relacionamento com alguém que se esforça para que eu caiba somente nos meus 1,57m e que não queira me ver crescendo e florescendo à cada dia cotidiano. Alguém que sorrateiramente me diga que eu não deveria fazer outra residência, que não deveria assumir outro compromisso de trabalho, que eu não estou preparada para assumir certas responsabilidades. 

    É alguém que observe todos os dias a grandiosidade do meu ego e queira podá-lo, direta ou indiretamente. De novo. Não é exatamente algo nupérrimo


Nem esses domingos à tarde recheados de questionamentos meus.

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